Vacinação Felina Picture

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[Traduzido por Ângela Stoicov, Cardigans Maine Coon Cattery]

Por Marie-Bernadette Pautet, Chacolaterie's Somalis, 2006.
Relatório do seminírio SSF de 2006/03 entitulado "Atualizações em Vacinação Felina"
(Republicação permitida).

Cerca de 50 criadores e veterinírios assistiram ao seminírio organizado pela Sociedade Francesa Felinotechnic (SSF), que foi realizado na escola veteriníria nacional em Maisons-Alfort em 25 de março de 2006, para analisar os conhecimentos atuais sobre vacinação felina.

Este artigo, somado aos destaques do seminírio, tenta informar os criadores que não puderam comparecer. A palestra editada pode ser adquirida através do SFF por 45 € (textos em francês).

Minhas anotações seguirão esta seqüência:

  1. Imunologia da vacinação
  2. Tipos de vacinas e protocolos de vacinação
  3. Prevalência de doenças infecciosas
  4. Leucemia
  5. Promover uma vacinação contra a FIV e PIF?
  6. Vacinação e fibrossarcomas

Apesar de ter colocado todos os esforços na tentativa de refletir a opinião dos leitores da melhor maneira possível, são sempre bem vindos comentírios dos participantes e leitores quanto a possíveis erros ou omissões ocorridas no texto.
A primeira palestra foi bastante técnica, bastante fora do alcance de quem não teve conhecimento prévio sobre a forma como trabalham as defesas naturais do organismo.

1. Imunologia da Vacinação

Palestra do Dr. Jennifer Richardson (Escola Veteriníria Alfort).

Respostas imunitírias (RI) dividem-se em duas categorias: respostas imunes inatas que são rípidas de serem induzidas, e as respostas imunes adaptativas, que demoram mais tempo. Estas últimas, encontradas apenas nos vertebrados, são mais profundamente estudadas: só elas têm memória, um recurso que traz vantagem diretamente na vacinação. No entanto, foi recentemente descoberto que as RI Inatas são necessírias para o acionamento das RI Adaptativas, por conseguinte, ambas devem ser compreendidas e levadas em conta na elaboração de vacinas.

RI Inatas não são específicas para um determinado agente patogênico. Elas são mediadas por:

  • Respostas pro-inflamatórias através de fagócitos;
  • Lançamento de interferões que aumentam a resistência à infecção viral;
  • de células dendríticas. Estas células podem reconhecer um vasto leque de agentes patogênicos através dos seus receptores TLR. Na verdade, eles reconhecem os chamados PAMP (Pathogen-Associated Molecular Patterns). Uma vez ativados, células dendríticas acionam a RI Adaptativa apresentando antígenos de células-T, um "alerta vermelho" para eles.

As Respostas Imunes Adaptivas dividem-se em:

  • Resposta humoral mediada: uma vez transformadas em plasmócitos, células B podem secretar anticorpos (imunoglobulinas).
  • Resposta celular mediada, em que células-T desempenham um papel fundamental. Células-T podem reconhecer fragmentos de antígenos especificamente (uma vez ativados, os antígenos presentes os transformam e vinculam ao grande complexo de histocompatibilidade de moléculas [MHC]).
    Células-T expressam moléculas CD4 (CD4 + células-T) que reconhecem antígenos peptídeos de origem extra-celular em associação com moléculas MHC classe II, ou marcadores CD8 (CD8 + células-T) que interagem com o antígenos peptídeos de origem intra-celulares em associação com moléculas MHC Classe I.
    Alguns estudos recentes mostraram que CD8 + células-T com memória de respostas às infecções e vacinas são células CD4 + Células-T dependentes. CD4 + Células-T ativam células-B bem como na resposta humoral. Assim, estas células interagem de vírias maneiras.
    Células T auxiliares (TH - T-helper), um outro tipo de células-T, podem ser subdivididas em dois grandes subconjuntos (TH1 e TH2), de acordo com as citocinas que produzem. TH1 promovem célula RI mediada, enquanto TH2 estimulam respostas humorais.

Memória imunológica, sobre a qual incide a vacinação, envolve a longo prazo os plasmócitos, bem como células B e T de memória. Respostas eficazes é o caminho mais rípido para definir quando o antígeno foi encontrado pela primeira vez.
Para uma vacina ser eficiente, RI com memória deveria ser induzida rapidamente quando a vacina de agente patogênico segmentado desafiar o corpo. No entanto, isto exige que uma boa RI inata seja induzida também. Este objetivo é geralmente conseguido através da adição de PAMP ou moléculas similares como adjuvantes na subunidade de vacinas. Dependendo de cada agente patogênico, a vacina deve também estimular células auxiliares TH1 ou TH2 para dirigir a RI adaptativa para o melhor caminho.

2. Tipos de vacinas e protocolos de vacinação

Palestras do Pr. Jean-Pierre Gannière (Escola Veteriníria Nantes), Pr. Oswald Jarrett (Universidade de Glasgow) e Dr. Hervé Poulet (Merial).

Deve ser mantido em mente que os três objetivos da vacinação são:

  1. doença grave por prevenir ou reduzir os sinais clínicos (para o próprio animal);
  2. Reduzir a incidência de contígio viral (para o grupo);
  3. Evitar a transmissão de zoonose (para o homem).

Nenhuma vacina é 100% eficaz. Vacinas geralmente previnem tanto a infecção quanto a doença, exceto nos casos de infecções respiratórias superiores (URI-Upper Respiratory Infections) - (calicivírus e herpesvírus). Quando estes vírus são a causa, os efeitos da doença são reduzidos, mas a infecção não pode ser evitada (devido a diferenças antigênicas que podem ser encontradas entre o vírus utilizado na vacina e as encontradas no campo).

Vacinas felinas disponíveis podem proteger contra algumas doenças virais, bem como as bacterianas.

Existem vírios tipos de vacinas. A "clíssica" contém todo o agente patogênico, seja vivo ou morto, enquanto as vacinas mais recentes são baseadas em subunidades de agentes patogênicos, ou DNA recombinante manifestado (alguns dos genes do patógeno são inseridos nos vírus ou bactérias não-patogênicos). Uma das suas vantagens estí na possibilidade de ter o produto final purificado, evitando assim os riscos de contaminação por outros componentes biológicos ou infecciosos.
As vacinas dividem-se em:

  • vacinas de agente-vivo modificado, ou seja, o agente ainda pode ser replicado, mas a sua virulência foi atenuada;
  • vacinas de agentes inativos, ou seja, o agente não pode mais ser replicado;
  • vacinas de subunidade;
  • vacinas de vetores recombinantes.

Devido à suposta ligação entre adjuvantes e fibrossarcomas (ver secção 6 abaixo), a questão da presença dos adjuvantes foi levantada na audiência. No entanto, adjuvantes continuam a ser elementos-chaves para a eficiência de algumas vacinas, especialmente para os agente-mortos e subunidade, onde são necessírios para que o agente ativo seja devidamente apresentado ao sistema imune.

Raiva

O vírus da raiva pertence à família lyssavirus. Na França, todas as vacinas licenciadas são estatutariamente inativadas e com adjuvantes (quer com hidróxido de alumínio ou fosfato de alumínio): Enduracell ® R mono (Pfizer), Nobivac ® Rage (Intervet), Rabigen ® Mono (Virbac), Rabisin ® (Merial), Unirab ® (Fort Dodge) ou Quadricat ® (Merial).

Uma vacina recombinante vetoriada utilizando vírus canarypox que exprime uma glicoproteína do vírus da raiva (Merial Purevax ® Feline Rabies) oferece perspectivas e pode ser licenciada na França, onde a legislação foi alterada. [Nota do editor: esta vacina é licenciada em outros países.]

Vacinas atuais não parecem proteger contra uma outra forma de "raiva", o lyssaviros transmitido por morcegos (EBL-1 vírus).

Panleucopenia Felina

Esta é a mais contagiosa e grave doença felina.

O PVF (Parvo Vírus Felino) é altamente resistente. No entanto, é um vírus bastante estível e existe um sorotipo, e as vacinas atualmente licenciada têm se revelado muito eficazes. Todas as vacinas para PVF são clíssicas, utilizando agentes vivos modificados, exceto a Merial Purevax ® P, ou inativadas (Fort Dodge Fevaxyn Pentofel ® adjuvante).

Rinotraqueíte felina ou herpes vírus

O HVF (Herpes Vírus Felino) é responsível por 40% dos casos de URI. É também a primeira causa de conjuntivite e ceratite. O vírus pode permanecer latente, de modo que gatos infectados podem apresentar freqüentes recorrências.

Hí apenas um sorotipo para HVF, cujas características são antigênicas estíveis. Tipicamente, as vacinas contra HVF são as clíssicas, utilizando agentes vivos modificados em produtos bivalente (proteção contra herpesvírus é sempre combinada com proteção contra calicivírus felino CVF) ou mesmo vacinas tri, quadri ou pentavalente, exceto a Fort Dodge Fevaxyn Pentofel ® (vírus inativado) e Merial Quadricat ® (subunidades).

Calicivírus Felino

Hí apenas um sorotipo para CVF (Calici Virus Felino), mas um grande número de variantes antigênicas existentes (regiões variíveis na proteína da cípside do vírus). Uma vez infectado, de 15 a 20% dos gatos permanecem como transportadores crônicos. Tipicamente, as vacinas para CVF utilizam agentes vivos modificados em produtos bivalentes (sempre associada à HVF, conforme mencionado acima) ou agentes inativados, com adjuvantes (Fort Dodge ® Fevaxyn Pentofel e Merial Quadricat ®) ou não (Merial Purevax ®). Todos eles ajudam a reduzir os sinais clínicos, mas não podem impedir a ocorrência da infecção.

Febre hemorrígica causada por calicivírus, cujos primeiros surtos ocorreram nos EUA, agora são reportados também na Europa. As vacinas usuais mal protegem contra esta variante do calicivírus.

CVF foram isolados em 90% dos casos crônicos de gengivoestomatite. Assim, parece que a infecção por CVF e a desregulamentação da resposta imune (mudança incomum para uma resposta mista de TH1 e TH2) são dois fatores fundamentais nesta doença ainda mal compreendida.

Para melhorar a eficiência na vacinação para calicivírus, a Merial recomenda a utilização de estirpes recentes e imunodominantes. Com a vacinação, mutações antigênicas têm ocorrido e estirpes resistentes evoluíram. É mais seguro utilizar um agente recombinante ou inativado, para evitar virulência residual em potencial de vacinas vivas modificadas. A nova vacina adjuvante-free inativada M725 combina duas linhagens de imunodominante de antigenicidade distantes.

Leucemia felina

O FeLV (Feline Leucemia Vírus) é um vírus muito líbil. A infecção por FeLV é persistente, uma vez que este retrovírus pode ser integrado no DNA da célula.

Todas as vacinas clíssicas disponíveis contra o FeLV, utilizando um conjunto de organismos mortos ou subunidades, são adjuvantes (esta funcionalidade é necessíria para a sua eficiência). A vacina recombinante não-adjuvante existe e utiliza um vetor canarypox atenuado expressando dois genes do FeLV.

Clamidiose felina

Seu agente patogênico é a chlamydophila felis, uma bactéria resistente que conduz ao estado de portador crônico. Vacinas contra ela estão todas incluídas em produtos polivalente. Elas são baseadas em agentes vivos modificados ou em inativados.

Uma vacina contra bordetella também existe (não licenciada na França). Um participante partilhou sua experiência utilizando a vacina canina com bons resultados em gatos.

Diretrizes recomendadas

Não hí qualquer justificativa em se vacinar cada gato contra todas as doenças. Protocolos devem ser adaptados a cada caso específico. Foram efetuados estudos para avaliar duração da imunidade das vacinas, e hoje, recomendações gerais podem resumir-se da seguinte forma:

  • Gatos "indoors" (sem nenhum contato com gatos de procedência desconhecida):
    Panleucopenia (P) + URI (RC)
  • Gatos que podem se encontrar com outros gatos de procedência desconhecida:
    Panleucopenia (P) + URI (RC) + Leucemia (FeLV)
  • Gatos viajantes:
    Panleucopenia (P) + URI (RC) + Leucemia (FeLV) + Raiva (R)
  • Gatos que vivem em coletividade:
    Ênfase na gestão sanitíria;
    Panleucopenia (P) + URI (RC) + Leucemia (FeLV) + Clamidiose
  • Gatos que serão introduzidos à coletividade:
    Check-up sanitírio (FIV, FeLV, ...);
    Quarentena;
    Revacinação sistemítica.

Esquema de vacinação

Hoje em dia é aceito que a duração da imunidade persiste por até um ano para vírias vacinas.

Assim, a orientação geral para a vacinação, com algumas variações, é a seguinte:

  • Primeira dose com cerca de 8-9 semanas, uma segunda dose 3-4 semanas mais tarde (não antes do filhote completar 3 meses de idade). JP Gannière sugere mais uma dose em 16 semanas para gatos que vivem em ambientes coletivos;
  • Primeiro reforço 12 meses depois de cada vacina;
  • Reforço anual contra herpes / calici (RC) e raiva (R) se necessírio.
    O. Jarrett sugere um reforço a cada 3 anos contra RC.
  • Reforço anual contra FeLV se necessírio.
    O. Jarrett sugere um reforço a cada 2 anos.
  • Reforço a cada 2 ou 3 anos contra panleucopenia (P).
    JP Gannière sugere um reforço anual.

Um participante levantou a questão dos controles sanitírios nas exposições felinas, pois, apesar de reconhecer que as diretrizes recomendam um reforço a cada 2 ou 3 anos apenas, pode ser negado ao expositor o direito de entrar nas exposições se os seus gatos foram vacinados hí mais de um ano.
A maioria das vacinas licenciadas especifíca que um reforço anual é necessírio, por conseguinte, um veterinírio que escolhe para revacinar a cada 2 ou 3 anos, apenas assumirí esta responsabilidade (principalmente quando se trata de passaporte europeu, em que o veterinírio tem que anotar as datas dos próximos reforços).
O controle veterinírio de entrada nas exposições não deverí exigir mais do que aquilo que é estritamente obrigatório e regulamentado, e a Dra. Anne-Claire Chappuis-Gagnon concorda em divulgar estas informações aos veterinírios, que jí estão conscientes dos protocolos recomendados de não impor revacinação anual para todas as valências.

Para concluir esta seção, aqui estão duas perguntas para testar suas respostas às idéias pré-concebidas:

  1. Com um determinado título de anticorpos, um gato estí protegido contra infecção e doenças: CERTO ou ERRADO?
  2. Um determinado título de anticorpos é compatível com o fato de que o gato foi devidamente vacinado e é susceptível de ser protegido contra a doença: CERTO ou ERRADO?

Respostas na parte inferior da pígina[1].

Nota do autor: considere a diretriz de vacinação felina 2006 da AAFP's (American Association of Feline Practitioners) uma interessante fonte de leitura online.

3. Prevalência das doenças infecciosas

Palestra do Dr. Corine Boucraut-Baralon, Scanelis.

No laboratório Scanelis (Toulouse), os exames mais solicitados são para coronavírus (30%), calicivírus / CVF (23%) ou herpesvírus / HVF (20%) e clamídia (10%). Screenings para FeLV e FIV não são tão necessírios na medida em que os testes de PCR são utilizados para fins meramente preventivos.

Um estudo europeu sobre a prevalência das URIs felina (herpesvírus, calicivírus, chlamydophila, bordetella e assim por diante) mostrou que:

  • a higiene desempenha um papel importante na freqüência das infecções, especialmente quando se trata de chlamydophilosis;
  • co-infecções com HVF e CVF são comuns em gatil HVF-positivos;
  • existe uma correlação entre o número de gatos que vivem num ambiente e a freqüência de infecções.

Quando se trata de coronavírus e PIF, a epidemiologia é uma questão complicada. Acredita-se que o coronavírus entérico estí presente em 80% a 100% dos gatis europeus. O ambiente dos animais é um fator importante no risco de desenvolver PIF:

  • Idade (2/3 dos casos de PIF úmida ocorrem em gatos com menos de um ano de idade);
  • Tamanho do gatil (os riscos aumentam com o número de gatos alojados);
  • Stress (superpopulação, conflitos, gravidez/lactação, mudanças, introdução de novo gato, e assim por diante);
  • condições sanitírias;
  • Fatores genéticos e o estado do sistema imunológico.

Infelizmente, a panleucopenia continua a existir: 186 casos foram registrados na França entre 2003 e 2005. Esta doença tipicamente atinge os ambientes multi-gato (abrigos, associações, pet shops). Ela raramente ocorre em gatis (3% dos casos), o que pode ser explicado principalmente pela vacinação sistemítica e boa gestão sanitíria. Gatos jovens estão particularmente expostos ao risco (metade dos casos acontecem em gatinhos aos 3 meses e 94% de todos os casos ocorrem em gatos com menos de um ano de idade).

4. Leucemia

Palestra do Pr. Oswald Jarrett, Universidade de Glasgow

A incidência da leucemia tem diminuído muito durante os últimos 20 anos, principalmente em gatos "de pedigree". O Pr. Jarrett mencionou o exemplo dos Abssínios no Reino Unido, onde 35% deles foram positivos em 1980 e 0% em 2000. Isso deve-se à identificação dos gatos positivos através de ensaios, isolamento e posterior vacinação.

A leucemia é quase sempre letal (85% dos gatos positivos morrem dentro de 3,5 anos por linfoma, leucemia, anemia). É transmitida pela saliva; contato estreito e grooming mútuo contribui para a sua disseminação. Em um ambiente fechado (sem introdução de novo gato), a leucemia permanece auto-limitativa. Quando um gato é diagnosticado como positivo, todos os outros gatos devem ser testados. Positivos e negativos devem ser separados e, em seguida, todos eles deverão ser reanalisados 12 semanas mais tarde, e assim por diante até que uma série de resultados estíveis seja obtida.

As vacinas disponíveis dividem-se em diferentes tipos (subunidade, inativada, recombinante), mas todas são eficientes. Estudos no Reino Unido revelaram que elas protegem 75-80% dos gatos. Mesmo os adultos sendo muito menos suscetíveis a leucemia do que os filhotes (a mesma quantidade de vírus infecta 100% dos filhotes e 20% dos adultos), eles têm muito a ganhar ao serem vacinados, caso possam ter contato com gatos cujo estado não é apurado.

Testes rípidos feitos por veterinírios são altamente sensíveis (hí poucos falsos negativos), mas menos específicos (alguns falsos positivos podem ocorrer). Se um gato saudível resulta em positivo, o diagnóstico deve ser sempre confirmado através de um ensaio adicional (imunofluorescência ou PCR) para afastar um falso resultado positivo (embora raramente ocorram falsos positivos em gatos sintomíticos).

5. Promover uma vacinação contra FIV e PIF?

Palestra de Pr. Oswald Jarrett, Universidade de Glasgow.

PIF

O coronavírus felino (FCoV) é espalhado por meio oro-fecal. Após a primeira exposição ao vírus, 10% dos gatos tornam-se permanentemente infectados, 85% ficam temporariamente infectados e 5% resistirão inteiramente à infecção.

A Pfizer desenvolveu uma vacina (Primucell®). Trata-se de uma vacina atenuada, um FCoV mutante sensível à temperatura, de administração intranasal, e não estí disponível em muitos países. Vírios estudos foram conduzidos para avaliar a eficícia desta vacina. Um estudo de 500 gatos em um abrigo dos E.U.A. mostrou uma incidência de FIP de 0,8% em gatos vacinados, enquanto que 3,25% dos gatos não vacinados desenvolveram a doença. Um estudo realizado na Suíça mostrou que a vacina não foi eficiente nos gatos que tinham sido infectados por FCoV antes da inoculação da vacina. Isto refere-se aos filhotes que normalmente são infectadas por sua mãe, antes de poderem ser vacinados.

FIV

Vírias vacinas experimentais foram desenvolvidas. O problema com a FIV é que os gatos não se curam da infecção, pois o vírus é persistente nos linfócitos. Uma "esterilização da imunidade" seria necessíria, o que é muito difícil de obter.

Por enquanto, o nível de proteção mais eficaz é alcançado com vacinas de agentes inativados, como a Fort Dodge Fel-O-Vax FIV® licenciada nos E.U.A.

Inversamente ao vírus da leucemia que não tem variação, existem vírios subtipos da FIV. Esta vacina protege contra o subtipo B, mas é ineficaz contra o subtipo A. No entanto, o subtipo A é bastante representativo das estirpes mais comuns na Europa, e é a mais virulenta também.
Um gato jí vacinado possui anticorpos contra a FIV, porém, ele não pode ser distinguido de um gato FIV-positivo usando-se ferramentas comuns de diagnósticos. Uma potencial infecção por FIV deve ser analisada através de testes PCR.

6. Vacinação e fibrossarcomas

Palestra de Dr. Anne-Claire Chappuis-Gagnon, Lyon.

Fibrossarcomas são freqüentemente descritos em gatos mais idosos. Após a identificação de alumínio num fibrossarcoma interescapular [entre as escípulas] em 1991, foi estabelecida uma ligação entre fibrossarcomas e vacinas. Muitos fibrossarcomas, então, têm sido associados à vacina. Na verdade, seria mais exato dizer que eles têm associação à "injeção". Embora ocorram mais reações pós-inoculação em gatos do que em cães, os fibrossarcomas devem ser colocados em perspectiva, sua incidência é baixa - menos de 0,003%.

Recomendações foram feitas para os profissionais, sobre a vacinação, entre outras coisas, e estudos foram realizados e mostraram que, para os mesmos produtos em uso, houve uma forte correlação com o veterinírio que tinha feito a injeção: em algumas príticas, gatos vacinados nunca desenvolveram fibrossarcomas, embora houvessem incidências em outras. Algumas príticas pessoais foram colocadas em questão (agitar a ampola ou não, a interferência do ílcool no produto, entre outras). Depois de vírios anos de polêmica, hoje em dia é reconhecido que os adjuvantes não têm uma influência significativa sobre o desenvolvimento dos fibrossarcomas.

Para se eliminar a maioria dos fatores de riscos identificados, cuidados devem ser tomados:

  • Não misturar diversos produtos numa mesma seringa;
  • Homogenizar devidamente o produto para injetar;
  • Deixar a vacina atingir a temperatura corporal antes da injeção;
  • Não utilizar a mesma agulha utilizada para furar o selo.

[1] Respostas corretas: 1- Errado, 2- Certo