CHM, O Assassino Silencioso. Picture

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[Traduzido por Roberta Martire, Chatterie des Mûres Sauvages]

Por Francesca Doria, 2006.
(Reimpresso com permissão.)

Essa é a estória de Francesca Doria, criadora de Ragdoll, que teve que lidar com o CHM em seu gatil de forma muito severa. Este artigo não se trata de um estudo científico de CHM, e nenhum direito nesse sentido deve ser derivado do mesmo. Mas ele nos fornece uma expressão clara das emoções daqueles que passam pela experiência de terem gatos com CHM.

A tragédia real começou há alguns anos. Como o CHM às vezes desenvolve lentamente e tem diferentes graus de severidade e desenvolvimento, dependendo do gato, nós viemos à conhecer o problema tardiamente.

Todos os filhotes de Purrdy foram vendidos/doados como animais de estimação, à não ser dois. Todos os filhotes de Piccolo Naviglio foram vendidos como animais de estimação. Oliver nunca procriou, felizmente, ainda que tenhamos plenajado Osiris para ele.

Em maio de 2005 eu recebi uma ligação do senhor que comprou a primeira filha de Osiris e Purrdy, Slipperpaws Sara. Ele nos disse que ela tinha CHM. Ela teve uma parada cardíaca e eles chamaram um cardiologista (que estava em Trieste).

Depois de uma briga com Piccolo Naviglio, Purrdy entrou em colapso, ficou rígido, suas pernas ficaram frias e ele perdeu urina. Seus olhos ficaram negros. Eu estava em choque, massageando ele e depois de um tempo ele conseguiu se levantar. Eu chamei o cardiologista, histérica e ele me recebeu dois dias mais tarde.

Ele estava igualmente chocado com o que descobrimos. Pela audição, o coração de Purrdy estava perfeito. Na ultrasom, ele estava um desastre. Uma cardiomiopatia hipertrófica, circulação sanguinea inexistente. Ele estava morrendo. Ele mal podia acreditar que ele havia atingido 8 anos de idade, mas, disse ele que gatos são bem mais resistentes que cães.

Hormônios também ajudam à proteger os gatos, como em humanos. Mas em contrapartida, teria sido melhor pra ele ser castrado para evitar stress.

A situação era tão desesperadora que o máximo à ser feito era dar um "tratamento de manutenção", ou seja furosemide, spironolattone, Fortekor (benazepril). Além disso usamos medicina natural para ajudar. Ele estava bem quieto, mas ainda querendo viver, ele tentava sentar no meu colo, mas não conseguia pois começava à tossir imediatamente, pois seu coração estava muito grande e tocava o esterno.

Émile entrou em colapso por causa de uma severa insuficiência renal, Alison estava doente (câncer no pancreas, ainda que só tenhamos sabido meses mais tarde). Logo eu tive que parar de fazer as ultrasons porque o custo era muito alto e precisávamos checar Purrdy mais uma vez, mas eu comecei esterelizando Rosi, Mini, Pici e Piccolo. Dia 3 de Novembro de 2005, dia em que Merlin morreu (ele morreu no dia 3 de novembro de 1997 ), Rosi ficou doente. Ela tinha dificuldades respiratórias, não podia mais subir escadas e pedia ajuda com o olhar.

Imediatamente eu a levei ao cardiologista. Ela já havia tido insuficiência cardíaca, e ela tinha apenas 2 anos de idade. Ela havia acabado de dar uma cria apenas hà alguns meses atrás e nunca, nunca tinha tido qualquer sinal de HCM.

Ela começou à ser tratada com atenolol, furosemide, spironolattone. Tenei ajudar também com oliva, Coenzime Q10, taurino, chá de alecrim. Ela aparecia ter melhorado e começou à ter uma vida normal novamente.

A morte de Purrdy

No dia 2 de Janeiro de 2006 eu encontrei Purrdy frio, olhos negros, com as patas pra cima, deitado de costas. Eu comecei à massageá-lo e corri para o veterinário. Inacreditavelmente, ele voltou à vida. O cardiologista disse que ele havia tido uma apnéia, então ele deu à ele mais Fortekor.

No final de janeiro, suas patas transeiras começaram à falhar. E começaram a ficar frias. Ele ficou aterrorizado: seus olhos ficaram negros, ele começou à gritar alto, tentou correr, mas não conseguia. Sua voz aumentou rapidamente, era terrível, um grito que podia ser ouvido pelos vizinhos, que perguntaram o que estava acontecendo de tão horrível ! Eu chamei o veterinário, mas eu não conseguia falar, no final ele decidiu vir imediatamente. Infelizmente, ele estava longe da nossa casa. Purrdy literalmente voava do sofa para a mesa. Ele batia sua cabeça com tanta força que pensei que ele fosse parti-la em dois. Ele quebrou seu quadril na perna da mesa, ele mastigou sua língua e a deixou em pedaços. Ele tentou se matar para fugir da dor terrível que sentia.

Minha irmã foi buscar o veterinário e o único gato que ficou na sala foi Émile, olhando para o Purrdy, porque Émile sempre foi especial, tomando conta dos gatos que estavam morrendo. Osiris batia na porta com tanta força que eu pensei que ela fosse amassá-la e ela gritava tentando ajudar seu noivo.

Purrdy sangrava e tinha o corpo quebrado quando o veterinário chegou. Ele ainda estava vivo e gritando. O veterinário ficou tão chocado que mal respirava. Eu acho que se alguém tivesse me esfaqueado naquele momento, eu mal sentiria. Uma injeção de anestésico para um animal de 30 kgs foi insuficiente, porque a circulação bloqueou a aorta, causando um coágulo. Então ele teve que injetar diretamente no coração. Purrdy tossiu, eu acariciei sua cabeça, ele mordeu minha mão. Quando ele se deu cnta do que fez, lambeu. Nós nos olhamos nos olhos e ele morreu.

Um mês mais tarde, eu ouvi alguém gritar da mesma forma. Eu corri desesperadamente: era Rosi. Rosi, meu anjo da guarda, minha fada maravilhosa, deitada no chão. Eu caí de joelhos, chorando, segurando ela desesperadamente, não, não a Rosi! Mas seus olhos estavam negros, ela estava viva, mas paralizada. Ela teve esquemia causada por um coágulo e isso a matou. Ela tinha 2 anos e meio.

Mas eu não podia ficar parada me remoendo. Eu precisava verificar os demais. Pimpa era CHM negativa (9 anos e meio). Pici era heterozigota (portadora), e Mini tinha CHM não obstrutivo. Oliver era negativo para HCM via ultrasom com 2 anos e meio de idade, mas ele morreu de CHM um ano mais tarde (parada cardíaca). Em pânico, eu já havia notificado todos os compradores e proprietários dos filhotes de Purrdy, e agora eu tinha que notificar também os proprietários dos filhotes de Mini, Rosi e Piccolo (por sorte, Pici nunca teve filhotes!). De acordo com as verificações mais recentes, eles desenvolveram pressão alta, aumento do coração e etc.

Logo, eu posso dizer:

  • 100% dos filhotes de Purrdy (CHM) e Slipperpaws Pimpa (negativa para CHM, mas portadora) morreram ou têm CHM.
  • 50%-30% dos filhotes de Purrdy e Osiris (CHM sã) desenvolveram CHM.
  • 100% dos filhotes de Rosi (CHM), Mini (CHM) e Piccolo Naviglio desenvolveram CHM. Nós temos em casa duas filhas de Mini que nós guardamos porque tivemos que fechar o gatil.
  • Slipperpaws Saranka, filha de Bluebelle e Jetsam, morando com amigos, é adicionada à essa lista.

CHM é um assassino silencioso. Você não percebe que seu gato tem até que ele ou ela tenham uma parada cardíaca, um ataque do coração ou um coágulo. Um gato com CHM pode sobreviver durante anos, mesmo em casos como o de Purrdy, que teve o problema desde 1 ano de idade, isso porque o organismo compensa de certa forma. O único sinal é cansaço e tosse. Gatos negativos para CHM podem ser portadores.

MAS a ultrasom é válida, porque:

  • Se você fizer ultrason no seu gato, e com três anos ele é CHM negativo, ele ainda pode ser portador, mas ainda há chances dele não estar espalhando a doença;
  • Se você fizer ultrason no seu gato, você poderá ajuda-lo, dando uma melhor qualidade de vida e uma vida mais longa.
Eu também descobri que remédios naturais podem ser eficazes.

Eu espero que meu relato possa ajudar. Nunca é tarde demais. E tenha em mente : criadores tem uma responsabilidade moral e legal. Se os proprietários pedirem reembolso, o criador é obrigado à reembolsar.

A catástrophe que atingiu o meu gatil foi causada pelo fato de eu ter perguntado durante anos ao criador que me vendeu "Ragdolls de linhagem puramente inglesa" se havia algo de errado com os gatos dele e ela sempre respondia à mim e a minha irmã que não havia nada de errado. Quando ela não podia mais esconder o problema, ela começou à me evitar.

Meus gatos pagaram, porque eu confiei nela. Eu fui tão estúpida em decidir não fazer utrasom neles, mesmo depois de de começar à ouvir falar em CHM no início dos anos 90, (antes, os veterinários chamavam apenas de "insuficiência cardíaca", de forma geral) e eu já havia perdido três gatos de "insuficiência cardíaca". Agora o problema é conhecido em qualquer lugar: nenhum criador pode dizer "eu não sei nada sobre CHM". CHM é uma praga na raça Ragdoll, e eu estava certa de que "linhas tradicionais" estavam imunes.
Não é nada disso. Elas são bombas prestes à explodir, porque a consanguinidade é muito alta. Se você checar à fundo os pedigrees verá que os ancestrais são os mesmos e todos tem CHM.

Criadores que dizem que não hà nada de errado com os parentes dos gatos listados nos arquivos de CHM não são honestos.
Um criador Inglês me disse que "foi a vontade de Deus que colocou os gatos nas nossas mãos". Se ele colocou nossos gatos em nossas mãos, é nosso dever tentar ajuda-los! Ter um gato ou uma criança é a mesma coisa : é a responsabilidade de ter uma vida em nossas mãos.

Nota de Misha Peersmans: (Janeiro 2007) Existem hoje pesquisas de CHM em vários países; até o momento existe um teste de DNA disponível para a mutação MyBPC3 em Maine Coons. A pesquisa na(s) mutação(ões) nos Ragdolls ainda está em curso e atualmente falam da suspeita de uma forma CHM devida à um gen recessivo nos Ragdolls. Na maior parte das demais raças, as mutações CHM são dominantes, até onde sabemos atualmente.