Teste de Acasalamento com novas linhas de Maine Coon Fundação Picture

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[Traduzido por Ângela Stoicov, Cardigans Maine Coon Cattery]

Por Judith Schulz, gatil Prairiebaby, Canadá.

(Nota: Este artigo pode ser aplicado a outras raças também)

Quando um criador traz novas linhas de fundação para o gatil pela primeira vez, ele provavelmente irá se perguntar: Que tipos de testes de cruzamentos são os mais conclusivos? E quanto a testes de consangüinidade? Quando eles são necessários e quando são inúteis?

Mesmo que a maioria das pessoas acredite que o incesto nos dará clareza sobre genes recessivos, na realidade, em curto prazo só nos dá vagas e incompletas informações. Normalmente, os novos gatos de fundação têm um genótipo que é desconhecido para nós. Genótipo desconhecido significa que não sabemos se são portadores ou não. Portadores de quê? Nós não sabemos realmente o que estamos procurando em um gato de fundação, certo? Em outras palavras não há maneira de calcular quantos filhotes seriam necessários para obter resultados conclusivos. É aí que os testes de endogamia se encaixam. Como não podemos dizer ao certo a probabilidade de gatos fundação serem recessivos, poderemos ter de produzir muitas, muitas ninhadas consangüíneas para descobrir mais sobre uma nova linha. Isto poderia muito bem significar cerca de 100 filhotes ou até mais.

E sobre o lado ético dos longos períodos de testes de reprodução? Se acasalarmos irmão e irmã ao longo de várias gerações nós automaticamente produziremos células T e B iguais nos filhotes durante certo tempo. Uma vez que essas células são responsáveis por reconhecer e combater doenças, a imunidade geral do animal diminuiria conseqüentemente. Alguns antigos criadores de Maine Coon têm feito muitos testes de endogamia para saber mais sobre as cores escondidas ou para melhorar o tipo (deve ser mencionado aqui que a melhor maneira de descobrir sobre o fator "masking" seria cruzar o gato fundação com um gato siamês em vez de cruzá-lo com seu próprio irmão - mas isso é além do ponto). Os resultados freqüentemente são problemas respiratórios e intestinos frágeis. Este tipo de experimento de reprodução, se for feito por várias gerações, provavelmente vai trazer à vida um bom número de bebês com uma boa chance de morrer de câncer em tenra idade, de terem gengivas e dentes frágeis, e desenvolverem todos os tipos de alergias e/ou tornarem-se portadores crônicos de infecções respiratórias. Tudo isso simplesmente porque têm um sistema imunológico fraco. Você sabia que o comportamento esquizofrênico e irritável também pode ser um efeito colateral de depressão endogâmica? Parece ser ignorado que os novos donos dos filhotes terão que pagar por todos os cuidados médicos, no caso de o período de teste de reprodução ter afetado o sistema imunológico dos seus gatinhos. Se considerarmos que as casas de nossos clientes são geralmente o melhor ambiente de vida para nossos filhotes, isso seria justo com o proprietário e para o gato?

Aqui também deve ser mencionado que os embriões com defeitos graves são freqüentemente absorvidos e não nascem. Nossa única evidência então seria um menor número de filhotes por ninhada. Filhotes absorvidos ou natimortos são muito comuns em ninhadas consangüíneas. Será que estes filhotes absorvidos não seriam portadores de pectus (peito escavado)? Será que os filhotes natimortos da ninhada não desenvolveriam uma torção de cauda aos 5 meses de idade? Quem sabe? Não temos trazido novas linhas de fundação a fim de receber sangue novo na raça - só para acabar no mesmo padrão que nós estamos tentando fugir?! Também deve ser mencionado que algumas colônias de gatos de fundação já têm certa quantidade de endogamia. Portanto, eles também não devem sofrer novo acasalamento consangüíneo.

Se o criador quer descobrir se um gato fundação traz um simples gene recessivo, ele poderia acasalar este gato com um gato que pode ser um portador. Neste caso, cerca de 16 filhotes teriam de ser produzidos para se ter 99% de certeza de que o gato fundação não leva tal falha genética específica. Esses filhotes não devem ser cruzados entre eles. Na verdade, teremos os mesmos problemas que o resto da população afetada pela endogamia. Após a fase de testes com os 16 filhotes, podemos misturar essa nova linha com a linha de gato show tradicional, e assim injetar sangue novo no pool genético. Uma vez que todas as espécies puras já são relativamente consangüíneas, muitos são portadores dos mesmos defeitos genéticos. Isto significa que a progênie da "linha testada" irá cruzar novamente com o gene afetado e o problema provavelmente retornará após duas gerações. Então, o que ganhamos? Será que devemos então ir em frente e produzir outros 16 filhotes? Mas e a próxima geração?

E quanto ao "método dos 7 filhotes"? Algumas pessoas dizem que os testes de acasalamentos fariam mais sentido se um portador do gene indesejável fosse homozigoto. Este gato então, teria que produzir apenas 7 filhotes para se ter 99% de certeza de que o outro parceiro não carrega o gene específico. Aqui entra uma nova questão: Se este gato é homozigoto para tal gene, então ele deveria mostrar isto (ter o problema), certo? Agora, se a falha genética é severa, seria prudente de nossa parte produzir várias ninhadas com este gato somente para descobrir se nosso novo gato fundação carrega o mesmo gene? E se, por outro lado, a falha genética não for tão severa e nós quisermos apenas descobrir sobre faltas indesejáveis de estética, como manchas ou torção de cauda, então, o método dos 7 filhotes seria útil? Sim se não fosse para todos os poligenes!

Outro aspecto é quanto às novas mutações. Um teste de acasalamento pode produzir inúmeros novos genes mutantes que não aparecem nos cruzamentos, mesmo nos cruzamentos de um mesmo casal. Em outras palavras, o filhote número 15 ou 16 poderia "mostrar" o gene ruim que procuramos, mas não porque os pais o carregam, mas devido a uma mudança repentina nas células.

Mesmo que as novas linhas de fundação sejam cuidadosamente selecionadas e manuseadas por criadores responsáveis, não podemos garantir que elas sejam livres de defeitos genéticos. Os criadores que pretendem obter um "estoque de fundação limpo" precisam entender que isto não existe. Todos os gatos e todas as linhas carregam genes recessivos indesejáveis. Não existem linhas completamente limpas e não existem gatos perfeitos. Se fizermos testes de acasalamentos em nossas linhas atuais, seguidos de seleção, quantos gatos precisariam permanecer em nossos programas de criação? Se sabemos a resposta, então por que ainda consideramos os testes de acasalamento em gatos de fundação? Parece que estes métodos seriam um retrocesso. Estaríamos quase que tentando criar o indesejável ao invés de criar pelas características desejáveis.

Aqui vai um outro pensamento para as pessoas que ainda acham que conhecem tudo sobre suas linhas "show" e só se preocupam com as terríveis falhas que um gato fundação pode carregar: Testes de consangüinidade com um parceiro sendo fundação e o outro sendo um gato de pedigree não nos daria nenhuma evidência de "pureza" da nova linha a mais do que a antiga linha. Por que? Porque os genes recessivos precisam ser carregados por ambos os pais para que apareçam nos seus filhotes. Em outras palavras, se um problema aparecer, a nova linha não terá trazido algo a mais que nós já não tivéssemos.

Muitos criadores incluem um gato exogâmico (genética não-endogâmica) ao seu gatil, numa média de 5 para 15 ou mais gatos de pedigree. Esta nova prática tem a tarefa de equilibrar os defeitos genéticos que têm se manifestados durante anos. Isto normalmente não funciona assim. Leva tempo. Estamos nos enganando se pensarmos que podemos acelerar as coisas com os testes de endogamia. Se os fizermos de qualquer maneira podemos ter quase certeza de que estes testes nos trarão problemas, pois os gatos de fundação carregam genes indesejáveis como qualquer outro gato! O que fazer então? Castrar todos e recomeçar? E se um outro problema aparecer na nova linha (o que provavelmente acontecerá)? Ou devemos manter os filhotes na criação e esconder os problemas dos outros somente para oferecer á eles o que esperam de nós - linhas limpas? Pra que realizar cruzamentos consangüíneos para descobrir o que todos já esperam?

Sumário: Genes recessivos defeituosos só podem ser eliminados numa certa medida, não importa quantos testes de acasalamentos sejam feitos. Isto é fato para todos os gatos Maine Coon. Nosso objetivo é trazer novas linhas de sangue e acasalá-las com nossas linhas "show" comuns. Estes gatos poderão trazer novos problemas para as nossas antigas linhas assim como nossas antigas linhas poderão adicionar problemas aos nossos novos gatos fundação. Por outro lado, problemas genéticos poderão ser minimizados ou até corrigidos em algumas gerações - contanto que fiquemos longe da endogamia. Um gene recessivo poderá se tornar um problema somente se os dois pais carregarem o gene. A chance dos dois gatos carregarem o mesmo gene será muito menor se eles não tiverem relação genética (consangüinidade). A combinação de testes para doenças genéticas, cruzamentos exogâmicos e seleção não é a resposta para todas as preocupações relacionadas à saúde. No entanto, cruzamento exogâmico é definitivamente a maneira mais eficiente de reduzir os problemas relacionados à imunidade. Exogamia combinada com testes genéticos e seleção, também é de certa forma, um instrumento eficaz para se combater os problemas com doenças genéticas. Se tivéssemos evitado a criação com uma diversidade genética tão limitada desde o começo, hoje não teríamos que pagar por caríssimos testes de HCM e HD - simplesmente porque estes problemas poderiam nem existir. Muitos de nós nos esforçamos por boa saúde, mas nunca somos totalmente bem sucedidos em nossos objetivos e visões. Mesmo com as melhores intenções, criar requer dedicação e muito trabalho. Continuamos esperando o melhor. A esperança é a última que morre...