Reproduzir Evitando Doenças Genéticas Picture

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[Traduzido por Roberta Martire, Chatterie des Mûres Sauvages]

Por Ulrika Olsson

O risco de doenças genéticas é algo que é discutido cada vez mais frequentemente entre os criadores de gatos e também em diferentes clubes e associações de gatos. Claro que todos nós queremos que nossos gatos sejam saudáveis ! Mais ainda assim as doenças genéticas aparecem aqui e alí em diferentes raças. Porque isso acontece ? O que podemos fazer a respeito ? Com o objetivo de entender o quê está acontecendo nas raças quando uma "epidemia" genética aparece, e na tentativa de contralá-la, precisamos ter um pouco de conhecimento das bases de genética.

Um dado importante : FREQUêNCIA DO GENE

Usando o gene diluidor de cores como exemplo, vamos supor que tenhamos uma população de 100 gatos. Como cada gato tem uma dupla de cromossomos, esta população terá 200 loci para o gene diluidor de cores - significando que há 200 lugares onde os genes D ou d podem estar situados. Em seguida suponha que 40 desses loci estão preenchidos com o gene d, enquanto que os 160 restantes estão preenchidos com genes D. Logo a frequência do gene d nesta população é de 40/200 = 0,20 = 20%. Da mesma forma achamos a frequência do gene D que é 160/200 = 0,80 = 80%.

Agora se o critério do equilíbrio for preenchido em sua totalidade (equlíbrio por Hardy-Weinberg) - o que nunca acontecerá completamente na realidade, mas não vamos nos preocupar com isso agora - então a probabilidade de dois genes estarem no mesmo indivíduo, e resultar num filhote blue, será de 20% x 20% = 0,20 x 0,20 = 0,04 = 4%.

A probabilidade de um filhote nesta população ser portador (héterozigoto) do diluidor é de 20% x 80% + 80% x 20% (a probabilidade de um gene d num dos dois cromossomas x específicos + a probabiliadade de um gene d gene no "outro" cromossoma x a probabilidade de um gene D no "primeiro" cromossoma) = 2 x (0,20 x 0,80) = 0,32 = 32%.

A probabilidade de um filhote desta população ser homozigoto preto (não diluído), DD, é de 80% x 80% = 0,80 x 0,80 = 0,64 = 64%.

Agora vamos olhar na direção contrária. Supondo que tenhamos descoberto que 16% da população tem PRA. Se pudéssemos agora supôr que o critério de equilíbrio acima mencionado é igualmente preenchido (e supondo entre outras coisas que a população não é dividida em diferentes linhagens), então podemos estimar a frequência genética do gene recessivo PRA. Vamos chamar a frequência genética de f. Então teremos f x f = 0,16. Logo podemos resolver a equação: f = a raíz quadrada de 0,16. f = 0,40 = 40%.

Podemos também estimar a proporção de portadores héterozigotos do gene PRA: (0,40 x 0,60) + (0,60 x 0,40) = 2 x (0,40 x 0,60) = 48%. Util, não? Agora, além do falar de pool genético e consanguinidade, temos outro tema importante!

População Effectiva

O fato de alguns criadores terem uma população mais larga do que outros e ainda o fato do pool genético poder ser muito limitado numa raça pequena é provavelmente óbvio para a maior parte dos criadores. Mas muitos criadores se sentem seguros que grandes raças - como Persas e Birmãs - têm um pool genético grande o suficiente. Sem riscos de problemas consanguineos, a não ser que você decida deliberadamente procriar uma mesma linhagem! Mas isso não é inteiramente verdade.

Discutimos ás vezes que o efeito da super reprodução (overbreeding) de poucos indivíduos considerados acima do padrão é maléfico para a raça, mesmo em grandes raças. Uma super reprodução de um indivíduo levada ao extremo seria se um único macho cruzasse com todas as fêmeas de uma geração. Com esse tipo de reprodução, é claro que o pool genético não seria grande, mesmo que a população contenha um milhão de fêmeas sem parentesco umas com as outras. Pra termos uma idéia melhor do QUãO grande é o pool genético num caso como esse, podemos calcular a população efetiva. Se a população contém 100 indivíduos, com número igual de macho e fêmeas, e todos forem cruzados entre si de forma randômica gerando o mesmo número de filhotes para cada casal, então a população EFETIVA é também 100. Em contrapartida, com a super reprodução de um macho conforme descrito acima, podemos calcular a população efetica com a seguinte formula:


       1        1        1

      ---- = ------ + -------

       Ne    4 x Nm    4 x Nf

 

Onde Ne = população efetiva, Nm = número de machos, Nf = número de fêmeas.

No nosso caso:


       1       1         1

      ---- = ----- + --------

       Ne    4 x 1   4 x 1000



       1      1     1

      ---- = --- + ----

       Ne     4    4000



       1     1001

      ---- = ----

       Ne    4000



       Ne    4000

      ---- = ----

       1     1001



      Ne = 3,996

Portanto essa população larga - 1001 animais usados para reprodução - fica igual a uma população de 2 machos e 2 fêmeas!

Falando de forma generalizada, a população efetiva não será mais larga do que 4 vezes o número de indivíduos do menor sexo representado (a não ser que você tenha planejado um programa de reprodução especificamente desenhado para evitar a perda de variação genética, mas esse é raramente o caso da criação de gatos.). Isto significa que se 5 machos são usados, a população efetiva não será mais do que 4 x 5 = 20, mesmo se usássemos um milhão de diferentes fêmeas nesse programa de reprodução.

Na realidade é claro que é raro o caso em que cinco machos sejam usados igualmente e gerem crias de forma igual e os machos restantes não sejam usados para reproduão DE FORMA ALGUMA. Logo fica bem complicado usar essa fórmula. Mas não se preocupe, existem outros métodos!

Um população efetiva muito pequena faz com que o nível de consanguinidade cresça a cada geração. Existe uma conecção entre consanguinidade e população efetica. Usando essa conecção seremos capazes de calcular a população efetiva nas raças de gatos. Podemos usar os pedigrees para calcular o coeficiente de consanguinidade, o COI. A maneira mais fácil de fazer isso é inserir o pedigree num bom programa de pedigree capaz de calcular o COI. Também é possível calcular isso manualmente. Não é complicado, mas se o parentesco for complicado e você quer calcular o COI de várias gerações, isso consumirá muito tempo, e vai haver um risco considerável de erro em alguma etapa. Entretanto, se o parentesco for simples e se o número de gerações a calcular for razoável, você pode rapidamente calcular o o COI diretamente do pedigree. E é ótimo saber como obter essas informações! Existem diversos artigos publicados voltados para a explicação de como fazer.

Se você quer calcular a população efetiva de uma raça particular de gatos num país específico, como por exemplo o Cornish Rex, precisamos primeiro de um arquivo ou base de dados com os pedigrees dos Cornish Rexes no país escolhido. Desta base de dados pegaremos as crias nascidas no ultimo ano. Se existirem muitas crias, uma amostragem com o número desejado de crias pode ser selecionado de forma randômica. Em seguida, calculamos o COI para essas crias, para 5 gerações. Pegue o valor médio desses COIs, guarde para mais tarde. Pegue depois todos os parentes das suas crias selecionadas e calcule o COIs para esses gatos, somente depois calculamos a geração seguinte - no nosso caso 4 gerações. E em seguida pegue o valor médio desses COIs. Suponhamos que temos o valor médio de 5,5% para as crias e 4,5% para os parentes das crias. Tiramos a diferença entre eles, 5,5% - 4,5% = 1,0 unidade percentual. Estamos interessados no percentual em que cada nível de heterozigocidade desceu nessa geração, e esse valor será 0,01/(1-0,045) = 0,01047, or 1, 047%. Então você tem uma nova fórmula:


              1

      Ne = ------

           2 x dF

... onde Ne é a população efetiva, e dF é a diminuição de heterozigocidade na última geração, como calculado acima.

No nosso exemplo, com dF = 1,047% = 0,01047, teremos:


                1

      Ne = ----------- = 47,76

           2 x 0,01047

A população efetiva dos Cornish Rex seria 48 em nosso exemplo. Uma população efetiva de 50 é geralmente considerada limite para uma espécie considerada em risco de extinção. Agora é claro que nossas raças de gatos não são espécies à parte, pois têm seus livros genealógicos fechados, e o efeito será o mesmo.

Agora poderia ser o caso do Cornish Rex na nossa população ser puro numa escala maior do que foi necessário, somente porque criadores estão separados em grupos pequenos, reproduzindo os gatos em diferentes linhagens. Talvez nossa população efetiva poderia ser maior se essa segregação dentro das linhagens não existisse? Como podemos verificar isso ?

Logo voltamos para o grupo de parentes das crias na nossa amostragem, dividimos eles em machos e fêmeas e testamos os pares entre eles de forma randômica. Os COIs são calculados para esses pares randômicos, calculamos o valor médio deles, e comparamos esse valor com o valor médio dos COIs dos parentes novamente. Supondo que os pares randômicos tiveram a média de 5,0%. Logo dF = (0,05-0,045)/(1-0,045) = 0,005236 = 0,5236%. E...


                1

      Ne = ------------ = 95,49

           2 x 0,005236

Então, nesse caso a população afetada estará num nível bem mais razoável se conseguirmos uma melhor cooperação entre craidores do mesmo país.

O que acontece se a populacão efetiva for muito pequena?

Algo que acontece quando a população é muito pequena é que o coeficiente de consanguinidade aumenta a cada geração. Na verdade, isso acontece em TODA população que não é de tamanho ilimitado, mas a seleção natural trabalha provavelmente contra o aumento da consanguinidade, então esse aumento pequeno de consanguinidade é ajustado e o status quo é mantido. É igualmente conhecido um grande número de células embrionárias fertilizadas, afeta o número de descendentes finalmentes nascidos desta cria, e a teoria é que os embriões tem que "lutar" pelo seu lugar no útero, e que quanto mais héterozigoto for o embrião, menos chance ele tem de sobreviver. No entanto, essa teoria ainda não foi comprovada.

O que aconteceria então, se um coeficiente de consanguinidade aumentasse de geração em geração? No começo, nada demais. Não até que o o nível de homozigotos atinja um certo grau crítico onde os problemas reais comecem a aparecer, e neste caso é normalmente muito mais complicado tomar uma ação corretiva. É melhor comecarmos a trabalhar contra esses problemas antes dos sintomas aparecerem. O problema pedagógico ocorre evidentemente quando aqueles que começam a reproduzir com poucos indivíduos não conseguem ver imediatamente os problemas que isso causa. Eles pensam "Eu reproduzi desta forma durante anos, e eu não tive problema algum". Mas como podemos ver, "tentativa e erro" não é o uma boa estratégia! Quando o "erro" aparece já é um pouco tarde para ajustar de uma maneira simples.

Porque a consanguinidade é tão perigosa ? Uma coisa - que todo criador educado deveria saber - é que ela significa um aumento do risco de dobrar os genes recessivos maléficos ou letais. O par de cromossomos por um lado nos protége desse risco, numa população grande que não tenha muito parentesco. Todos os indivíduos carregam alguns genes recessivos maléficos. Algumas pessoas pensam que a consanguinidade elimina os genes recessivos maléficos levando a uma raça mais saudável no futuro. Mas primeiro, a consanguinidade sozinha não elimina nada, ela tem que ser combinada com uma seleção forte com o objetivo de eliminar os genes indesejáveis. Segundo, é preciso uma forte consanguinidade para ter todos os loci homozygous, e logo ver o que todos os gatos carregam e eliminar todos os genes indesejáveis. Reproduza uma fêmea com seu próprio irmão, e 25% de todos os loci serão homozigotos. Em seguida, reproduza dois desses descendentes entre eles, e 37,5% do loci serão homozigotos. Depois pegue dois dos desses últimos descendentes e reproduza eles entre si! Agora a consanguinidade será tão forte que a maior parte dos criadores iriam parar. Mas ainda "somente" 50% dos loci serão homozigotos. Portanto, em decorrência desta consanguinidade drástica, deixaríamos de expôr outros genes recessivos e potencialmente maléficos.

Mas vamos supor que a gente continuasse! Reproduzimos uma linhagem com 100% homozigocidade, selecionando genes fortes contra genes maléficos o tempo todo.Todos os indivíduos teriam o mesmo genotipo, com excessão para o fato de que os machos teriam um cromossomo Y no lugar onde as fêmeas teriam um segundo cromossomo X.

OK, custou muito esforço e dinheiro para fazer o que chamamos de linha Isogenia e muitos gatos morreram no percurso. Mas finalmente chegamos nesse ponto e finalmente temos uma linhagem que é 100% saudável do ponto de vista genético! Yippeeee!!!

Isso é possivel, pode ser feito, se você tomar cuidado para não deixar o nível de homogocidade crescer mais rápido do que a sua capacidade de gerenciar a eliminação de genes maléficos. Isso tem sido feito com ratos usados em laboratório. E funciona bem! Mas... eles só conseguem que uma linhagem entre vinte sobreviva. As demais 19 linhagens morrem durante o processo. Talvez seja melhor não tentar?

Além disso, o sistema imunológico não é muito bom em indivíduos homozigotos. O sistema imunológico funciona bem melhor se o loci envolvido for héterozigoto, pois isso dá ao indivíduo a possibilidade de desenvolver mais tipos DIVERSOS de anticorpos, e não somente anticorpos do MESMO tipo. Este não é um problema sério num rato usado em laboratório, já que o ambiente onde eles estão inseridos é protegido contra doenças contagiosas (indesejáveis), e também não é considerado uma trajédia, infelizmente, quando um rato de laboratório morre. Em contrapartida quando um animal de estimação amado ou um membro da família morre é muito triste. Hmmm... talvez não seja uma boa idéia?!

Acima de tudo as mutações ocorrem espontaneamente e com o tempo destruiriam nosso genotipo perfeito. Você tem que contar com uma ou duas mutações por indivíduo.

Acho que é melhor mudarmos nossa estratégia!

Mas e se a raça já é consanguínea?

Se uma raça ou população já é tão consanguínea que os sinais de depressão de consanguinide são claros, como por exemplo um alto índice de câncer prematuro ou infecções, o que fazer?

Se existirem linhagens sem parentescos em outros países, claro que a melhor solução seria aumentar a troca de gatos entre os países. Se uma tal linhagem sem parentesco não está disponível, teremos que reproduzir com outra raça ou com gatos não registrados que preencham os standards de maneira razoável. Se os novos genes forem suficientemente misturados na população, o problema de consanguinidade será resolvido.

Uma objeção frenquente à essa solução é que assim não sabemos qual gene recessivo maléfico pode ser introduzido na raça através dos gatos de outra raça ou sem registro ("outcross") que forem introduzidos. Se isso é verdade, nós não sabemos. O que sabemos é que a maior parte dos indivíduos carregam alguns genes recessivos maléficos. Muitos criadores pensam também que é melhor ter mais população consanguínea e menos doenças genéticas, com o objetivo de manter o controle. Talvez existam mais e mais testes para essas doenças. Mas, conforme vimos acima, é melhor termos uma frequência baixa de diferentes genes recessivos maléficos do que uma alta frequência de um só gene recessivo.

Suponha que temos uma população A com uma frequência genética de 50% para alguns tipos de defeitos recessivos. Vamos comparar essa população com a população B com frequência genética de 10% para cinco diferentes genes recessivos maléficos. Ambas populações terão a mesma frequência de de genes maléficos, mas a população A tem genes maléficos de um só tipo (fácil de controlar) enquanto que a população B tem seus genes maléficos divididos em cinco tipos diferentes.

O risco de um filhote da população A aparecer com a doença genética então 0,50 x 0,50 = 0,25 = 25%.

O risco de um filhote da população B é 5 x (0,10 x 0,10) = 0,05 = 5%. Isso mostra que teremos consideravelmente menos filhotes afetados numa população com baixas fequências para diferentes tipos de doenças. A maneira mais efetiva de manter uma raça saudável não é tentar eliminar o recessivo maléfico, mais abaixar a sua frequência até um nível baixo o suficiente em que dois recessivos maléficos do mesmo tipo vão quase nunca se encontrar.

Alguns criadores hesitariam em usar outcross porque eles têm medo de perder o tipo ideal para sempre. Alguns criadores acham que a consanguinidade (reprodução clássica) é a única forma de ter um tipo excelente e uniforme. É verdade que usando a consanguinidade podemos atingir resultados de maneira mais rápida nesse sentido. O problema é que arriscamos a longo prazo a saúde desses gatos. É possivel atingir o mesmo resultado reduzindo a consanguinidade, ainda que leve mais tempo. Infelizmente, usar a consanguinidade é um caminho mais curto e tentador para criadores que estão interessados em exibir os seus gatos. Mas é preciso ter em mente que a maioria dos genes que são dobrados atravez do uso de gatos consanguíneos nada tem haver com o tipo. Por exemplo, se um ser humano tem aproximadamente 100,000 genes, 98,5% desses genes serão idênticos aos de um chipanzé! E ainda, somos nós muito diferentes de um chipanzé? Quantos desses genes podem ser diferentes entre um Siamês e um Persa? Ou um Norwegian Forestcat e um Maine Coon? Ou mesmo entre um Sagrado da Birmania de um bom tipo e um outro com tipo razoável? Nada mais do que aquilo que podemos fixar com algumas gerações de reprodução seletiva, isso com certeza!

Problemas Genéticos estão aparecendo nas raças!

Sim, isso também é devido a uma população efetiva pequena! A não ser que seja devido a uma reprodução que não está atenta ás funções anatômicas do animal. Reproduzir visando corpos muito longos pode trazer problemas na coluna, reproduzir visando faces pequenas pode gerar problemas nos dentes, reproduzir visando uma cabeça muito triangular, quadrada, regonda, etc, as cabeças podem vir a gerar problemas com o queixo, olhos ou outros. À um gato deve permitido, antes de mais nada e mais do que tudo, ser um GATO. Não se trata de um pedaço de argila que podemos moldar de acordo com nossos valores estéticos. Um gato não é constituído de círculos, triangulos, quadrados ou outras figuras geométricas, temos que nos lembrar disso. Algumas vezes eu tendo à concordar com um geneticista, que trabalha especialmente com cães, que sugeriu que talvez devessemos fazer com que todos os cães tenham o pêlo do puddle, pois assim poderíamos DESCARTAR as formas geométricas e os angulos esperados que achamos mais atrativos. Em consequência os animais poderiam ter sua anatomia deixada em paz.

Com excessão desse triste fenômeno, é a população efetiva reduzida que causa a alta frequência de muitas doenças genéticas e faz elas aparecerem nas raças. Muitos criadores parecem se confundir quanto a isso. Eles tendem achar que se tivermos por exemplo 10% dos gatos de uma raça afetados pela PRA, significando que a frequência genética é de aproximadamente 32% para o gene recessivo PRA, e se não testarmos e trabalharmos para reduzir essa frequência, logo a frequência será crescerá automaticamente com o tempo. Isso não é correto. Se fosse, então também a frequência do gene diluidor (azul, creme, etc.) em gatos cresceria com o tempo a não ser que selecionássemos contra o gene diluidor. Se a população é grande o suficiente, e nenhuma seleção contra o PRA for feita, a frequência do gene ficará em 32%.

Em contrapartida se selecionarmos mesmo que de forma branda contra o PRA, por exemplo deixarmos os gatos que tem PRA (homozigotos) terem não mais do que uma cria, logo a frequência desse gene vai baixar. Devagar com uma seleção branda, e mais rápido com uma seleção forte. Se agora removermos todos os gatos com PRA do programa de reprodução antes mesmo deles terem filhotes, o resultado seria:


      Geração         Frequência de genotipos (%)

      número          PP         Pp        pp



      1               46,8       43,2      10,0

      2               57,8       36,5      5,76

      3               65,0       31,2      3,74

      4               70,2       27,2      2,62

      5               74,1       24,0      1,94

      E assim sucessivamente.

Mas então o que acontece se a população efetiva for muito pequena? O que aconteceria com a frequência genética? Seria o mesmo efeito de jogar uma moeda para o alto dez vezes. A chance de sair cara seria de 50% toda vez. E se você tivesse jogado essa moeda 1.000 vezes, você chegaria perto de 50% de cara e 50% de coroa. Mas agora você apenas jogou 10 vezes. Logo não é surpreendente se você por azar ter 70% caras e 30% coroa ou, 30% cara e 70% coroa, ou algo parecido.

Usando essa analogia para uma população pequena de gatos, significa que a frequência genética de em torno de 30%, na geração seguinte cresceu para 35%, por causa desse efeito randômico. Ou ainda, pode ter reduzido para 25%, por causa do mesmo efeito randômico, o que no caso do PRA seria bem melhor. Mas vamos ser perssimistas e supor que a frequência tenha crescido para 35%. Logo o valor ESPERADO da frequência genética para a geração seguinte seria também de 35%. Mas por sorte pode acabar sendo 29%, 34%, 38%, 42%, ou qualquer outro percentual. O quanto menor for a população efetiva maior é o risco de haver uma grande derivação do valor esperado da frequência do gene. Logo esta frequência, que obtemos de forma randômica, será o valor esperado para a geração seguinte. Este fenômeno é chamado deriva randômica. Se o impacto dessa deriva randômica for mais forte que o impacto da seleção - natural ou artificial - as mudanças na frequência do gene podem muito ser o oposto do que queremos. APESAR da seleção. Logo os olhos dos nossos Siameses devem ficar opacos, ou os tufos de orelha "lynx" dos Norwegian Forestcats ficariam menores, ou PKD pode ficar mais comum nos Persas. Isso seria tudo menos algo engraçado!

Se agora olharmos porque o PKD ficou bem comum nos Persas, poderia ser dificilmente causado por uma seleção misteriosa à favour de rins empedrados. Tem outra causa.

Deve ter começado com a mutação em um gato há muito tempo atráz. Era um gene dominante, logo o gato desenvolveu cistos nos rins. Vamos supor que era um macho que morreu de PKD com 5 anos de idade. Ou talvez entre 7-8 anos de idade. De qualquer forma, temos uma certa seleção contra o gene. Se a população é grande o suficiente, a frequência vai diminuir e eventualmente chegar á 0%. E mesmo que não tenha havido quelquer seleção, haveria uma boa chance do gene desaparecer em algumas gerações, já que a frequência poderia ser por azar maior ou menor. E já que a frequência era inicialmente muito pequena (um gene mutado em uma população grande), é bem provável que a frequência pudesse cair para 0%, e o gene desapareceria.

Então, a população efetiva para os Persas não era aparentemente grande o suficiente. A deriva randomica apareceu, e isso causou infelizmente um aumento da frequência do gene do PKD. Apesar de uma certa seleção contra o gene, o resultado foi que a frequência ficou aproximadamente entre 25-30% antes dos criadores começarem a ficar atentos ao problema e antes de uma seleção mais forte ser introduzida.

O que tudo isso nos diz? Que se não tivermos uma população grande o suficiente, então altas frequências de problemas genéticos indesejáveis continuarão à aparecer. Se não tivermos sorte teremos também dificuldades para reduzir esses problemas mesmo com seleção.

Se ao invés tivermos certeza de que temos uma população grande o suficiente na nossa raças, doenças genéticas não vão aparecer como um problema comum em toda população. E ainda evitaremos depressões de consanguinidade e sistemas imunológicos ruins.

Reproduzir com uma populaçãoo efetiva pequena, e ao mesmo tempo iniciar projetos para lutar contra doenças genéticas numa raça, é como começar um tratamento para cancer no pulmão e continuar fumando. Ou como escoar a água da banheira enquanto a torneira ainda estiver aberta, e a água AINDA estiver caindo dentro da banheira.

Trabalhando com uma população grande o suficiente, os pools genéticos são como um remédio preventivo para as raças. Não parece inteligente tratar somente o problema sem pensar em medidas preventivas que poderiam evitar que os problemas aumentem.

Devemos tambem manter essa necessidade nas grandes populações efetivas quando criamos e aceitamos uma raça de gatos spotted de pêlo curto, uma atraz da outra, e uma de pêlos semi longos de cabeça media uma após a outra e etc. A não ser que o número de criadores querendo trabalhar com raças spotted de pêlo curto cresça na mesma proporção que o número de raças, o requisito para por exemplo criadores de Bengal - é somente um exemplo - será um custo também para os Ocicats', os Spotted Oriental Shorthairs', Egyptian Maus', etc. para manterem um número grande o suficiente de animais procriando nos seus programas de reprodução. Será que esses criadores podem arcar com isso ? Serão as novas raças capazes de criar um lugar para elas entre as demais raças? Ou será que elas ficarão com populações pequenas, e no final teremos destruído todas as raças spotted de pêlo curto? Essas são questões importantes para serem pensadas pelas organizações felinas. Esses problemas são reais, não somente em teoria, e nós já começamos a ver os primeiros resultados, embora ainda de forma não tão brutal como nas raças caninas. Mas eu temo que piore, a não ser que façamos algo sobre isso - o quanto antes melhor.

Logo essas são questões que as organizações felinas devem trabalhar. E elas não podem ser esquecidas no meio dos projetos contra doenças específicas. Isso está diretamente relacionado à base atual da saúde dos gatos.

©Ulrika Olsson, 2002

Muito obrigada á Cynthia Bowen, do Gatil Coontopia, pela ajuda com o complicado idioma inglês!



Database na Internet

Com o objetivo de ter certeza de que as populações efetivas e os pools genéticos são grandes o suficiente para as raças que estamos trabalhando, é necessário criar uma base de dados com todos os gatos envolvidos, independente das associações nas quais eles estão registrados. A população de geneticistas terá então uma oportunidade de estudar a situação de cada raça, e nós poderemos ter recomendações para reprodução baseadas em fatos ao invés de suposições sobre o que ACHAMOS sobre a situação. Nós podemos ainda conhecer a tempo se a raça está perdendo variação genética no pool genético, antes dos SINTOMAS da consanguinidade aparecerem.

Com o objetivo de informar e dar suporte aos criadores do mundo todo, é igualmente importante que essas bases de dados estejam disponíveis na internet, logo todos podem compartilhar essas informações coletadas. Eu vejo que, os registros são feitos com on intuito de beneficiar as raças, então a informação deve também ficar disponível para os criadores. Afinal de contas, são os criadores que tomam decisões para a reprodução. Logo a informação registrada deve estar diponível para estudo de todos os criadores do mundo.

Inicialmente, quando uma politica mais aberta é discutida, é normal que algumas pessoas se preocupem que a divulgação de informação facilite a falsificação de pedigrees. Mas a questão é que esses pedigrees aparecerão on line, mesmo os falsos. E neste caso os proprietários dos gatos envolvidos reagiriam imediatamente e ações poderiam ser tomadas para corrigir o erro.

Tudo isso pode possivelmente parecer um tanto assustador para quem nunca pensou no assunto, mas eu acredito que a atitude de manter os pedigrees em segredo é apenas uma questão de tradição. Eu vejo muitas vantagens se a informação registrada se tornar pública - nós só temos que nos adaptar a esse pensamento e nos convencer de que nada perigoso acontecerá.

Eu estou convencida de que escolhas "ruins" de reprodução, do ponto de vista da saúde, são causadas na maior parte dos casos pela falta de informação e conhecimento sobre como tudo funciona. Essa base de dados pode, combinada com o aumento da educação organizada pelos clubes felinos, contribuir muito para o aumento do conhecimento sobre raças e reprodução entre os criadores. Isso nos levaria a uma melhora na saúde genética dos nossos gatos.