Proteção Natural da Variedade Genética Picture

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[Traduzido por Roberta Martire, Chatterie des Mûres Sauvages]

Por Per-Erik Sundgren, Dr Agric., Genética, Sweden. (Email)
(Reimpresso com permissão)

Introdução

Programas para preservar a saúde genética em raças de cães tem sido discutidos intensamente na Suécia junto ao desenvolvimento das estratégias genéticas de reprodução. Porque as estratégias genéticas específicas se tornaram uma necessidade para a criação de cães? Na natureza não existem programas especiais de reprodução ou estratégias para manter a saúde e a vitalidade das espécies durante um longo tempo. A causa das desordens herdadas - observadas em várias raças de cachorro - é que os criadores, por ignorância ou reprodução massiva causada pelas diversas formas de competição, destruiram as barreiras protetoras contra as desordens genéticas que a Natureza construiu em milhões de anos de seleção natural. Quais os tipos de barreiras que precisamos conhecer para evitar este tipo de erro?

A Célula

O corpo do animal - mesmo sendo uma unidade - é composto de bilhões de células. A conecção entre as gerações está, entretanto, numa só célula - a célula do óvulo fertilizador. Então todos os que estão envolvidos em reprodução devem saber ao menos um pouco sobre como o óvulo fertilizador é protegido contra desordens genéticas.

Genes - esquemas proteicos

A função básica do gene é servir de esquema para a célula usar na construção de uma proteína específica. Existem em torno de 30-40 milhões de pares de genes e os mais diversos tipos de proteínas podem ser construídos pela célula. Todos precisamos de esqueleto, músculos, sistema nervoso, fígado, rins e outros organismos internos. Precisamos ainda de um grande número de hormônios, enzimas e substâncias necessárias para que o corpo funcione normalmente.

Seria muito simples se nunca houvesse qualquer mudança no ambiente. Não haveria necessidade de mudanças nos esquemas para criar uma proteína específica qualquer. No entanto, todas as espécies tem que se adaptar as mudanças contínuas no meio ambiente ou à viver à mercê de predadores. Para viabilizar a adaptação à tais mudanças todos os animais devem eles mesmos serem capazes de mudar suas características físicas e mentais. Em consequência, é preciso que o sistema genético seja flexível.

No nível da célula o tratamento contra inimigos externos é extremamente largo. Inúmeros micro-organismos e vírus estão atacando continuamente nossos corpos. Graças ao rápido passar das gerações esses organismos são capazes de mudar o seu modo de ataque muitas vezes durante uma vida normal de grandes organismos como os mamíferos. Para defender-se contra todos os tipos de ataques cada indivíduo precisa de um sistema de defesa o mais singular possível. Caso contrário um ataque de sucesso à um só indivíduo iria se alastrar rapidamente.

O sistema genético é sujeito à três demandas aparentemente incompatíveis:

  1. Estabilidade para garantir que todo o sistema orgânico funcione corretamente.
  2. Variação balanceada da população inteira para garantir a adaptação constante e mais durável possível ao meio ambiente.
  3. Variação individual para proteger cada um contra doenças e infecções.

Durante os primeiros 3-4 bilhões de anos não haviam na Terra formas mais complcadas de vida do que os organismos unicelulares. A sua forma normal de reprodução era por divisão celular simples, assexuada.

A molécula de DNA, elemento básico dos genes, era surpreendentemente composto de química estável. Esta molécula se auto duplicava antes da célula se dividir em duas, para então criar duas novas células com dois DNAs idênticos. Depois de uma divisão como esta ambas células tinham a mesma constituição genética. Mas se uma célula têm genômas idênticos não existe adaptação às mudanças no meio ambiente. Uma mudança repentina na molécula de DNA, ou num único gene, poderia causar a morte de um indivíduo pois uma proteína vital não poderia mais ser produzida. Um único conjunto de moléculas DNA ou genes traz portanto desvantagens sérias tanto para os indivíduos como para a adaptação das espécies a longo prazo. Somente organismos muito simples podem sobreviver à tal falta de variedade genética.

Gênero e a duplicação dos genômas

Após muitos bilhões de anos a Natureza encontrou uma solução para o sistema vulnerável de divisão celular simples. Celulas com gênomas idênticos migraram em pares para criar uma nova célula. Este novo tipo de célula carrega então uma cópia de cada gene. Logo elas têm uma cópia intacta do esquema proteico necessário no caso de um desses ser danificado por alguma razão. Células deste tipo são bem menos afetadas por danos do que genes únicos. Normalmente, existe uma duplicata do gene disponível para garantir que um determinado tipo de proteína seja produzido em quantidade suficiente.

Células com genomas duplos não podem mais se multiplicar por simples divisão. Para produzir a quantidade de DNA, e em seguida o número de genes, constantemente através das gerações é preciso passar por dois estágios. No primeiro estágio, elas se dividem em duas células cada uma com metade do DNA em cada uma das células novas. No próximo estágio essas duas células se encontram em fertilização para criar uma nova célula que vai carregar novamente um genoma com duplicatas de cada gene.

A solução da natureza foi criar dois sexos ambos com orgãos especiais, ovários e testiculos, onde a redução do genoma para a metade do tamanho normal acontece ao criar óvulos e espermas. A vantagem central de haverem dois orgãos é a duplicação des genes para evitar resultados desastrosos dos genes únicos.

Um sistema com dois sexos tem uma outra vantagem. No mesmo estágio em que células germinadoras (óvulo e esperma) são criados, as moléculas de DNA, aparentando longos cordões, se enroscam umas nas outras. Como todos sabem é complicado desenroscar os cordões. O mesmo é para as células, onde os pares de cromossomas quebram e trocam suas partes uns com os outros. Este processo é chamado de recombinação (crossover). Graças à essa recombinação, novas combinações genéticas se formam em cada geração, em todos os indivíduos, em todas as espécies que tem dois sexos. O sexo tem portanto tanto a função de proteção contra danos nos genes como também é uma fonte importante de nova variação genética para facilitar a adaptação genética necessária para mudanças das condições do meio ambiente.

Mas nem todas as mudanças nos cromossomas são nocivas. Se apenas uma mudança pequena na composição de proteína causada por uma mutação ocorre, e em seguida uma mudança subita no gene, a nova proteína talvez não atue bem devido à essa mudança. Em raros casos a nova composição proteica leva à vantagens para o animal. Tais vantagens raramente aparecem de imediato mas sim numa outra recombinação posterior e resultam na rearrumação dos genes ao longo dos cromossomas. Em casos em que tal gene mutado gera um aumento na vitalidade do animal os portadores produzirão na maior parte das vezes descendentes e o gene favoravel é incorporado no pool genético das raças ou espécies. No caso oposto, quando as mudanças nos genes são nocivas, o gene mutado vai rapidamente ser apagado da população através da seleção natural. A força da seleção muda novamente a vitalidade resultando em menos progenitores provenientes de animais afetados.

Efeitos dos laços entre Macho e fêmea na reprodução

Através de milhões de anos a evolução tem nos mostrado que a divisão de animais em machos e fêmeas é indispensável para a criação de animais altamente desenvolvidos. No entanto existe um problema com a maneira com a qual os mamíferos bissexuais reproduzem. A capacidade reprodutiva das fêmeas é geralmente restrita pois produz progenitores em dez ao invés de centenas. Machos podem cruzar com um grande número de fêmeas e portanto têm muito mais progenitores do que as fêmeas. Tal comportamento sexual reintroduz o risco de dois genes com origens idênticas se encontrem em sucessivas gerações. O comportamento sexual do macho viola a força protetora da duplicação da estrutura de genes.

A seleção natural novamente achou uma solução criando uma ligação mais forte ou mais fraca de macho e fêmeas na reprodução. Não importa se tal ligação é por toda vida ou apenas por uma estação reprodutora. O efeito será o mesmo. O limite superior para a reprodução do macho é dado por um número de progenitores que uma fêmea em média pode gerar. A criação de ligações entre macho/fêmea é uma maneira simples e brilhante com a qual a Natureza reforça a proteção causada pela estrutura de genes duplicados apesar dos machos terem uma capacidade de produzir um grande e perigoso volume de progenitores.

Na Suécia a super produção de um macho gerando grande progenitura é chamado de "Matador". Matador foi um touro usado intensamente no norte da Suécia. Ele carregava um gene da hypoplasia testicular, testículos muito pequenos, que causavam baixa fertilidade. Por causa do uso intenso desse touro o gene defeituoso se espalhou rapidamente pela população bovina local. Foram precisas muitas décadas de seleção contra o gene para reparar o dano causado pelo uso intensivo desse que um dia pareceu ser um macho de alta qualidade e excepcional como animal reprodutor.

MHC - o cartão de identificação

A cooperação de bilhões de células num corpo pode somente acontecer se cada célula puder identificar uma à outra de alguma maneira como pertencente a mesma unidade. Do contrário não há como identificar os inimigos e defender o corpo contra a invasão de outras células causadoras de doenças ou danos ao corpo. Então cada célula do corpo tem um cartão de identificação. O código de identificação varia o mínimo possível entre células do mesmo animal mas ao mesmo tempo é o mais único possível para cada animal.

Nature has solved the problem by creating a special set of genes called MHC, where MHC stands for Major Histocompatibility Complex. Together the MHC genes form the unique "identity card" carried by all cells of an individual and make it possible for the cells to cooperate without harming or attacking each other. The MHC genes constitute the basis for our immune system and play an important role in reproduction.

A Natureza resolveu o problema criando um conjunto especial de genes chamados MHC, onde MHC significa Major Histocompatibility Complex (complexo principal de histocompatibilidade). Juntos os genes MHC do cartão de identificação único carregado por todas as células de um indivíduo fazem o possível para que as células cooperem sem danificar ou atacar umas às outras. Os genes MHC constituem as bases para o sistema imunológico e têm um papel importante na reprodução. Os genes do sistema MHC criam proteínas especiais na superficie de cada célula. E a combinação especial dessas proteínas criam o código de identificação, da mesma forma para todas as células de um indivíduo. As células podem "ler" o código de identificação uma das outras e cooperar sem qualquer risco com células que carregam o mesmo código. Se células carregando um outro código penetrarem num corpo elas são atacadas por um guarda-células especial chamado Células-T (T-cells) ou células assassinas. As Células-T se movem continuamente em busca de células com códigos de identidade desviantes matando-as quando as encontram. Juntos e combinados, as proteínas MHC e as Células-T (T-cells) formam o sistema de defesa mais importante contra a invasão de células patogenicas.

Agora é obvio que quanto mais único é o código de identificação que um indivíduo carrega, melhor ele é protegido contra doenças. Células patogênicas sempre tentarão cópiar o código de identificação para enganar as células-T e fazê-las pensar que elas pertencem ao corpo em questão. Mas se elas têm sucesso nisso e todos os indivíduos carregarem códigos de identificação diferentes as células patogenicas não se espalham facilmente de um indivíduo para o outro. Elas serão descobertas pelas células-T do indivíduo que carrega um outro código de identificação.

A consequência básica da consanguinidade é a duplicação de genes da mesma origem. Tal duplicação vai inevitavelmente reduzir o número de genes com diferentes estruturas para produção de proteína e assim reduzir também a variação genértica no sistema MHC. Com poucas proteínas como base o código de identificação será menos singular e fácil de cópiar assim como senhas curtas de um sistema de computador. É por isso que a consanguinidade torna os indivíduos mais suceptiveis à doenças infecciosas.

A Genética envia sinais

A Natureza criou uma proteção especial contra reduções perigosas na variação genética do sistema do gene MHC. Novamente, a solução é brilhantemente simples. Os genes do sistema MHC participam da produção de substâncias chamadas feromônios. Os feromônios são um importante sinal sexual que possibilita o animal de "cheirar" parte do arranjo genético dos genes MHC carregados pelo seu possível parceiro. Foi comprovado através de experimentos que todos os animais desde insetos à mamíferos usam feromônios para evitar o relacionamento com parentes muito próximos que carregam em excesso muitos dos genes idênticos no sistema MHC. Então a ligação entre feromônios e os genes MHC protegem a variação genética no sistema imunológico. Este tipo de proteção será efetiva somente quando existir uma escolha livre de parceiros e quando o número de possíveis parceiros for grande o suficiente. Se o número de parceiros disponíveis é baixo as fêmeas podem escolher parceiros mesmo com parentesco próximo ao invées de escolherem não reproduzir. Uma progenitura menos viável pode ser melhor do que a esterilidade.

É importante acatar quando as fêmeas dão sinais de refusa ao macho. As fêmeas sabem melhor do que o criador se um macho carrega genes MHC favoráveis para a progenitura. Forçar um relacionamento sexual é uma maneira efetiva de violar uma dos mais importantes proteções da variação genética.

Fertilidade e Consanguinidade

Muitos criadores estão bem atentos ao fato de que a consanguinidade forte afeta negativamente a viabilidade, saúde e fertilidade. Mas o que o sistema imunológico e a reprodução têm em comum para que ambos sejam sensíveis à consanguinidade?

O feto é protegido contra a rejeição

Todos estão bem informados sobre os problemas de uma cirurgia de transplante por causa da aceitação do tecido estrangeiro por parte de quem recebe. A razão básica para a rejeição de um tecido estrangeiro é que todas as células deste carreguem um outro código de identificação e esse pode ser atacado pelo sistema imunológico do receptor que evita uma invasão não desejada ou células malignas. Quando transplantamos células de um indivíduo para o outro o processo é facilitado se o sistema genético do doador é o mais parecido possível com o sistema genético do receptor. Mas mesmo nesses casos onde o doador e o receptor são parentes próximos é necessário o uso de citotóxica (ou linfócitos) para evitar a rejeição dos tecidos transplantados.

Os genes de um óvulo fertilizado são 50% herdados da mãe e 50% do pai. Por isso o sistema genético de um óvulo fertilizado normalmente deriva em grande parte da mãe. Como consequência o óvulo fertilizado pode ser repelido pelo sistema imunitário da mãe. Na realidade se não houver outro mecanismo funcionando para impedir isso a gravidez não é possível. Mas novamente a natureza achou uma solução. Um tipo de proteína muito especial é produzida na mãe para prepará-la para a gravidez. Essa proteína tem a função de guardar o feto contra os ataques do sistema imunitário da mãe. Essa proteína especial guarda o feto continuamente durante a gravidez. É um dado interessante saber que o total de tecidos do feto, incluindo a placenta, mostra uma proporção similar ao peso da fêmea grávida. Um dos mecanismos prováveis que inicia o parto é o total de tecido fetal que excede a capacidade de proteção dada pela proteína protetora.

A proteção do feto tem um lado negativo. Quando o parto termina a proteína protetora ainda fica no corpo da mãe durante 2-3 dias. Durante esse período ela é extremamente suceptível à infecções jà que o seu próprio sistema imunológico é reduzido. É então necessário fornecer à mãe um local seco nos dias que seguem o parto.

Alguns acham que fetos com um sistema genético parecido demais com o da mãe, como por exemplo aqueles com alta consanguinidade, vão se beneficiar da genética similar à da mãe. Existiria uma tendência menos forte de rejeição de tal feto. Mas se existe uma grande semelhança genética entre a mãe e os óvulos fertilizados outro problema ocorre. Como poderia o útero da mãe ser capaz de identificar os óvulos fertilizados como desviantes das demais células do corpo da mãe que flutuam no mesmo espaço? Um dos pré requisitos é a adesão do óvulo à parede do útero e a formação da placenta é a diferença entre um óvulo fertilizado e a mãe.

Outro risco da similaridade genética elevada entre mãe e filho é que a dor do parto será sériamente reduzida levando à um prolongamento do trabalho de parto. Esta é uma vantagem na divergência do genótipo MHC entre mãe e filho. O feto vai ter um melhor começo no utero da mãe, o trabalho de parto será curto e finalmente o animal recém nascido vai ter um código de identificação mais único e em consequência ele será mais viável e menos vulnerável à doenças infecciosas.

Número de filhotes e o tamanho da mãe

Uma das consequências fabulosas do total do tecido fetal ter relação direta com o tamanho da mãe, é que isso afeta o tamanho da cria em cachorros. Normalmente existe uma relação negativa entre o tamanho da mãe e o número de progenitores em todas as crias, i.e. quanto maior a mãe é menor será a sua progenitura em cada cria. Pequenos animais como ratos tendem à ter grandes crias enquanto que animais grandes como elefantes normalmente dão à luz a um só filhote de cada vez. Em cachorros esse regra não é válida, assim como na maior parte das raças domésticas de porcos. A razão parece estar ligada aos nossos esforços de reprodução que foram mais efetivos na alteração do tamanho dos adultos dos cachorros do que no tamanho dos filhotes recém nascidos. Logo esta mesma proporção do tecido fetal comparado com o peso do corpo das fêmeas faz com que uma fêmea grande seja capaz de carregar mais filhotes.

O óvulo e a seleção de esperma

Existe alguma maneira do óvulo infertilizado ter alguma influência na variedade genética depois da fertilização? Qualquer um que tenha visto fotos de um óvulo antes da fertilização sabe que aquele óvulo é rodeado por vários espermas. Não é apenas uma coincidência ou um ato abundante da natureza que faz com que milhões de espermas sejam produzidos para fertilizar apenas um ou poucos óvulos. O número grande de espermas é a garantia de que um número suficiente de espermas atinjam o óvulo à tempo de ser fertilizado. O código de identificação das células vai tornar possível para o óvulo escolher um esperma dentre todos os demais disponíveis que melhor se adequa ao complexo MHS e em seguida viabilizar a produção da progenitura.

Pode soar estranho que um óvulo não fertilizado seja capaz de escolher um esperma que é então permitido de fertilizá-lo. Mas a fertilização não é um processo violento onde o esperma força o caminho em direção ao óvulo. A parede da célula do óvulo tem que se abrir para permitir que o esperma passe seu conteúdo de DNA para dentro do óvulo. Então a celula do óvulo tem um papel ativo e provavelmente dominante na fertilização. Um mecanismo similar de fertilização em plantas é conhecido há muito tempo. Se o pólem das flores de uma planta chega ao estigma das flores na mesma planta esse polém não vai crescer devido às reações quimicas bloqueadoras. Então o estigma das flores identifica o genotipo do pólem e evita um parentesco grande ou mesmo a auto-fertilização.

O número grande de espermas produzidos por um mamífero macho tem a mesma função do grande número de pólem produzido por plantas. Isto dá ao óvulo da fêmea a possibilidade de selecionar um parceiro para produzir progenitura com a maior viabilidade possível. Um grande número de espermas é outro sistema da natureza para preservar a variedade genética numa raça ou espécie. O uso intenso da consanguinidade vai novamente quebrar o sistema protetor já que todos os espermas serão muito parecidos em genotipo e logo reduziram a possibilidade do óvulo selecionar o esperma apropriado.

Redução Artificial do número de espermas

O número elevado de espermas normalmente produzidos por um macho tem sido há muito tempo considerado como simplesmente um excesso sem efeito na reprodução. O argumento é que como é preciso um só esperma viável para fertilizar um óvulo é necessário tornar a fertilização mais efetiva. O número de espermas produzidos numa ocasião vai certamente ser suficiente para engravidar mais fêmeas. Macho proeminentes podem ser usados para produzir um maior número de progenitores como nunca visto na natureza.

Usando inseminação articial em reprodução bovina, um macho normalmente dilui a ejaculação em 1/100, i.e. o número de espermas é reduzido para mil do montante normal. Embora tal redução não tenha qualquer efeito dramático a curto prazo é obvio que qualquer pessoa sabe que numa perspectiva à longo prazo o efeito será maléfico para a variação genética e em consequência para a viabilidade dos animais.

Conosco o experimento vai mais além. Começou com fertilização em tubos. Neste método, a fertilização é bem normal embora o número de espermas seja reduzido na maior parte das vezes. Hoje é usado o que chamamos de micro-injeção. Neste caso alguns cientistas ou médicos olham atravéz de um microscópio tentanto achar um esperma viavel, i.e. um que que nada em torno e esteja em alerta. Tal esperma é então escolhido e removido para uma pipete que é forçada para dentro da parede do óvulo não fertilizado. Usando micro-injeção para fertilizar o óvulo, este é totalmente impedido de selecionar o esperma mais apropriado para o seu genotipo e garantir uma progenitura mais viável possível.

O fato de um efeito negativo não ser detectado agora, ou em poucas gerações, devido a essa quebra violenta do sistema natural de segurança não é prova que essa técnica não seja maléfica numa perpectiva a longo prazo. A evolução trabalha com pequenos passos. Cada um desse passos pode parecer de uma importancia pequena mas somados ao longo de muitas gerações eles têm impacto profundo no desenvolvimento da raça ou das espécies. No entanto não é atravéz de experimentos mas sim atravéz de gerações que se pode concluir se algo é inofensivo para derrubar os mecanismos de segurança construídos no sistema de fertilização feito para preservar a variação genética vital.

Excesso de óvulos em cada acasalamento

Nos animais multipares existe ainda outro mecanismo para aumentar a viabilidade entre os progenitores recém nascidos. O número de óvulos fabricados por fêmeas durante o cio normalmente é o dobro do número daqueles nascidos e desenvolvidos completamente. Se uma fêmea é acasalada num período favorável do cio todos os óvulos serão fertilizados. Mas raramente existe espaço no útero para todos os óvulos fertilizados. Haveria então uma competição entre os óvulos por um espaço onde eles possam aderir à parede do útero e iniciar a formação da placenta. Óvulos menos viáveis, como por exemplo óvulos que contém genes duplicados com efeitos negativos no desenvolvimento desde cedo, vão perder a competição. Assim, os recém nascidos já têm um pouco menos de carga genética para transportar. A consanguinidade atual é um pouco menor do que aquela que pode ser calculada à partir dos pedigree envolvidos. Este tipo de seleção não sera jamais tão forte como aquela baseada em na seleção dentre os milhões de espermas. Mas vai garantir que os genes com efeitos negativos profundos no desenvolvimento precoce não se espalhem facilmente pela população.

Seleção Natural

A Seleção Natural, ou as forças da natureza que garantem que indivíduos sejam o mais viáveis possíveis ao seu meio ambiente, não vai preservar a variação genética em todos os sistemas de genes. Em alguns casos existe uma necessidade de estabilidade genética. Enquanto seres vivos todos temos pulmões, coração, estômago, esqueleto, sistema nervoso e cérebro e assim por diante. Seria muito maléfico para o desenvolvimento dos nossos orgãos básicos termos muita variedade genética no sistema genético responsável pelo seu desenvolvimento.

O que chamamos hoje de seleção natural é a força com o propósito de balancear o genoma com o objetivo de dar à ele o melhor efeito combinatorio viável. Na natureza a criatura precisa achar comida, se proteger contra inimigos incluindo micro organismos. É também necessário ser capaz de se adaptar aos fatores do meio ambiente tais quais o calor e o frio, a chuva ou a seca. Se algum desses tiver qualquer impacto no futuro genético da sua espécie este tem que achar ele mesmo um parceiro adequado e produzir uma progenitura sã. Para as fêmeas o complicado processo da gestação e parto tem que ocorrer sem problemas. Poucos animais chegam a sobreviver tempo suficiente sob a seleção natural passando por todos os estágios necessários e contribuindo para as futuras gerações.

É de extrema importância que todos os criadores de animais entendam que o princípio básico da seleção natural é estabilizar o sistema genético efetivo durante as circunstâncias normais do meio ambiente. A luta pela vida na natureza tem muito pouco haver com as lutas entre cada indivíduo. As lutas principais são aquelas pela sobrevivência e pela reprodução. Apenas os que há longo prazo produzem uma progenitura viável vencem e na naturea indivíduos extremos não estão entre os vencedores. O indivíduo mais prolifico vai vencer a corrida e esses são os mais bem adaptados ao meio ambiente atual, i.e. indivíduos normais próximos à população média. Nos casos onde as mudanças no meio ambiente nunca acontecem a seleção é um resultado improvável da genética individual na mesma espécie. Mas o meio ambiente e suas circunstâncias sempre mudam ao longo dos anos e ao passar desses anos essas mudanças se tornam muito grandes. Espécies que perderam sua variedade genética não serão capazes de se adaptar à tais mudanças no meio ambiente e seu destino é a extinção. Por esse motivo a Natureza vai sempre favorecer as espécies com o poder de preservar tanto sua variedade genética necessária para a adaptação quanto preservar a estabilidade genética para formar todos os orgãos vitais do organismo.

Normalmente existe variedade genética nos sistemas responsáveis pelo tamanho do corpo e sua forma, cor, tamanho do pêlo e assim por diante. Seria uma vantagem para esse tipo de característica ser capaz de mudar rapidamente se as condições ambientais mudarem. Outros sistemas genéticos, como por exemplo os responsáveis pela reprodução, devem ser mais estáveis. Abastecimento de comida pode por exemplo variar muito no passar dos anos e é uma vantagem se isso tiver um impacto genético imediato na redução da capacidade reprodutora.

Em animais selvagens a força seletiva vai acima de qualquer circunstância ser direcionada para o centro da população - o indivíduo médio é recompensado. Indivíduos extremos devem levar vantagem somente nos casos onde as mudanças ambientais são drásticas. Se a temperatura cai rapidamente por exemplo, como aconteceu hà 65 milhões de anos, animais com pêlos longos e protetores podem ter uma vantagem e formar o novo centro da população. Se a mudança for grande o suficiente novas espécies serão criadas. Em casos onde tal mudança ambiental é muito rapida ou muito abrangente, podem não haver animais carregando os genes necessários nem as características para sobreviver. E neste caso a população inteira ou espécie inteira seria extinta. Isso na verdade ja aconteceu com ao menos 98-99% das espécies que ja existiram na Terra.

Na Natureza, uma seleção estabilizada e adaptada a pequenas e lentas mudanças no meio ambiente é sinônimo do estado normal das coisas. As mudanças bruscas no meio ambiente são raras mas a maior parte delas causa uma vasta extinção das espécies. A perda rapida de espécies hoje em dia, como consequência da civilização e do seu efeito no meio ambiente, pode ser entendido como um efeito das dificuldades das espécies em se adaptarem às mudanças repentinas na sua condição de vida.

Seleção Artificial

Seleção artificial de animais pelo homem. Quando animais de fazenda são criados existe seleção visando crescimento rápido, mais leite ou ovos e animais mais carnudos. Os individuos extremos serão os que vencerão na raça e serão capazes de lidar com as mudanças rápidas diante deles. Reproduzir animais de estimação é possível sem tal ambição de mudar os animais rapidamente. Para a maior parte dos animais de estimação a reprodução é, entretanto, liderada pelos concursos e competições, e até corridas, trabalho e caça no caso de cães. Num concurso não existe nada à favor do indivíduo médio, como ocorre na seleção natural. Num concurso quem vencem são os indivíduos extremos. Muito frequentemente pequenas diferenças e características são recompensadas, características que não impactam na saúde, ou que até têm um impacto negativo na saúde. Na verdade a seleção artificial aplicada à todos os animais, inclusive animais de estimação, é bem parecida com a seleção natural num momento de catastrofe ambiental. Indivíduos extremos são os escolhidos prioritariamente para reprodução. O efeito negativo dessa política de seleção num longo período de tempo é bem conhecido. O problema na reprodução de animais de estimação é que a maior parte das pessoas não planejam algo para além de dez anos, na melhor das hipóteses, poucos planejam mais e nenhum se importa com os efeitos em termos de evolução das espécies.

Se queremos mesmo reproduzir e melhorar a saúde e vitalidade dos animais de estimação temos que aprender como a Natureza preserva a viabilidade em animais selvagens. Temos que abandonar as técnicas de reprodução que invariavelmente violam todo o mecanismo de segurança inventado pela Natureza. Se não queremos aprender como esses sistemas de segurança são feitos, e como podemos usá -los a favor de nossos amados animais, ambos criadores e fazendeiros- os animais de estimação terão um futuro depressivo. Reproduzir não é primáriamente baseada numa teoria genética complicada. A Natureza não tem conhecimento teórico de genética. Reproduzir com sucesso, com intuito de criar animais saudáveis e viáveis, é uma questão de adotar e manter poucos e simples princípios de seleção e reprodução.

Sumário de algumas consequências práticas

Neste momento é evidente que a maior causa dos defeitos genéticos e doenças hereditárias em animais não é resultado de um simples acaso. Mas sim uma consequência direta e inevitável da falta de conhecimento dos criadores sobre algumas regras básicas da natureza. Eles não têm conhecimento suficiente para verem as consequências do seu modo de usar seus animais reprodutores. A força motivadora de todos esse erros é uma prática reprodutora silenciosa com concursos e disputas onde rápidas mudanças genéticas são desejadas e onde esses objetivos tem prioridade mais alta do que a saúde e viabilidade dos animais. O sistema de recompensa das competições estimula a subdivisão de raças em um grande número de raças ou variedades dentro de uma mesma raça. Isso produz inevitavelmente uma população pequena para manter qualquer raça. Quando o número de indivíduos reprodutores fica abaixo do nível critico a perda de variedade genética é rapida demais. Desordens genéticas talvez não sejam um problema a curto prazo como dez gerações ou 30-50 anos. A maior parte das raças não são mais antigas do que 100 anos enquanto raças puras. O problema crescente com as desordens genéticas nas raças de animais de estimação é exatamente o que podemos esperar à partir do que sabemos sobre as práticas de reprodução em muitas raças.

Aqueles que buscam um programa avançado e correto de reprodução visando corrigir todos os problemas genéticos que vemos hoje estão olhando na direção errada. Eles deveriam entender o que deu errado e começar a aprender com a Natureza como animais podem ser mantidos ao longo de milhões de anos sem nenhum conhecimento teórico.

  1. o tamanho da população deve ser grande o suficiente para carregar e preservar a variação genética. Não hà como vencer quando a população de uma raça tem menos do que 100-150 animais reprodutores se o dobro desse número é o desejado.
  2. somente animais viáveis em boas condições físicas e mentais com funções naturais presentes devem ser reproduzidos.
  3. em criaturas muito desenvolvidas a regra básica é que os indivíduos separandos para reprodução não devem ter mais do que um número restrito de progenitores durante a sua vida.

Essas são as três regras básicas da Natureza, regras que quando aplicadas apropriadamente mantêm qualquer população de animais saudável ao longo de muito anos. A única razão para as desordens genéticas nas raças de cães e outros animais de estimação é que não levamos em conta os mecanismos criados pela natureza para proteger a variedade genética durante bilhões de anos.

Sprötslinge, July 2006


Per-Erik Sundgren


Per-Erik Sundgren
Dr. Agric.